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terça-feira, março 19, 2019

Namorar durante o intercâmbio dá certo?


Oiiiii gente, tudo bem com vocês? Espero que sim! Mais um dia 19, e cá estamos nós para falar sobre um assunto que a grande maioria das meninas se perguntam ''namorar durante o intercâmbio dá certo?''



Pode ser que sim.... como também pode não dar certo. 

Esse assunto rende pano pra manga, né?! Namoro é uma pauta complicada mesmo. Fala sério, se namorar um carinha que mora a poucos minutos (ou horas, levando em consideração o trânsito!) já é uma tarefa que requer paciência e cuidado, imagina lidar com a combinação “intercâmbio + namoro”?!

Bom, quem me conhece sabe eu nunca pensei ou até mesmo tive interesse em entrar em um relacionamento durante meu intercâmbio de au pair... eu como virginiana que sou, já planejei TUDO o que poderia dar errado e listei N motivos para não entrar nessa, pois depois de 12 meses eu precisaria empacotar tudo e ir embora. Mesmo tendo essa lista definida, nada me impediu de instalar o famoso TINDER, porque pra mim, SEXO é um ótimo remédio para relaxar (RINDO ALTO) depois de uma semana exaustiva cuidando da casa e das crianças. 



Sim, eu disse a palavra SEXO. O que para muitos pode ser algo extremamente ''not happening or too much'' eu instalei o tinder para me divertir e conhecer esses holandeses maravilhosos, afinal, faz parte conhecer pessoas novas no seu intercâmbio, seja para sexo ou novas amizades. Fui em váriooooos dates, alguns caras foram bem babacas e outros mais fofos. O bom de você se colocar ''out there'' é que você não imagina as pessoas que você pode conhecer ou até mesmo as amizades que podem sair disso tudo. Fico feliz por ter feito amigos usando esse app! (Risos de felicidade). Muitas vezes foram apenas encontros para tomar uma cerveja e rir dos perrengues da vida de au pair. 

Afinal, o post é sobre namoro no intercâmbio, e foi assim que eu conheci o meu namorado <3 

Conheci o meu boy no tinder, ele deu um SUPER like e conversamos por uns 3-4 dias seguidos até ele me convidar para sair. Lembro que depois de beber algumas cervejas eu perguntei pra ele o que ele estava procurando encontrar no tinder e a resposta dele foi alta e clara ''I'm not looking for any relationship'' - Não estou procurando por um relacionamento - com isso eu saquei que teríamos uma amizade super bacana, afinal, eu também não estava procurando por nada sério. 

Para encurtar a história, nós nos vimos todos os dias durante um mês depois do nosso primeiro encontro! (Risos). Depois de duas semanas ele perguntou se eu queria ser a garota dele, e é claro, como brasileira que sou não perdi a oportunidade de deixar ele sem graça e perguntar ''mas você disse que não queria um relacionamento.'' E ele ganhou meu coração quando respondeu meu comentário (não tão engraçado assim) com um ''eu quero apenas você.'' (apaixonada estou, risos!).



Estamos juntos há quatro meses, e eu nunca me senti tão feliz. O Michael, ele não me completa, mas ele me transborda! Demorei muuuuito para entender e aprender que eu precisava que alguém para me transbordar. Foi um longo caminho para chegar até aqui... para me sentir completa e realizada comigo mesma. 

Meus dias como Au Pair aqui na Holanda estão com os dias contados... e eu realmente não sei o que será de nós. Eu não sei se vou passsar o resto da minha vida com ele, mas HOJE é tudo o que eu mais quero. Namorar durante o intercâmbio dá certo? Dá, e muito! Passou muuuitos babacas na minha vida até eu encontrar o amor da minha vida. E talvez eu precisei passar por tudo o que passei, para hoje estar pronta para viver o meu próprio conto de fadas. Nada é perfeito ou para sempre, mas hoje esse é o meu felizes para sempre.

Venham para o intercâmbio sem amarras, pendências. Livres para serem felizes, transbordadas. Venham de mente aberta, e quem sabe com o coração aberto também (risos). 
O meu desejo é que o au pair traga para cada uma (um) de vocês um novo horizonte, pessoas de luz, e que vocês conheçam as milhares versões de vocês, e que a vida surpreenda vocês com todas as mais belas possibilidades. 

Até o próximo dia 19, 
Com amor, 
Gabby 

Instagram: iamgabbymuniz
Blog: https://gabinagringablog.wordpress.com/
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segunda-feira, março 18, 2019

Au Pair? Sim. Au Poor? Nem sempre!

Não sabe como administrar o pocket money? Te dou 5 dicas espertinhas de como economizar durante o seu intercâmbio de Au Pair!



Já deu pra entender que a vida de Au Pair nos permite experienciar mil coisas que normalmente nós não faríamos na nossa zona de conforto em apenas um ano: independência, maturidade, aprender idiomas, conhecer novas culturas, vencer nossos medos, viajar e viajar M-U-I-T-O.

Mas, nem tudo são flores e, se você é (ou pretende ser) Au Pair na Europa, já deve saber que o pocket money (nosso "salário mensal"), é bem... singelo, eu diria.



Então, se liga nessas 5 dicas basiquinhas, mas muito importantes, para que você mantenha o controle do seu dinheiro durante o intercâmbio:

1- Economizando no transporte
Se você escolheu ser Au Pair na Holanda ou na Bélgica, a chances de que você vai conseguir se locomover por aí só com a bike, são grandes! Transporte público costuma ser caro para o nosso bolso, então se você quer economizar, considere uma caminhada ou a bicicleta como boas opções sempre que der;

2- Comer fora? I don't think so...
SEMPRE coma em casa antes de sair e não esqueça de fazer aquela marmitinha pro rolê. Seja um sanduíche, uma saladinha, um snack das kids... qualquer coisa. Eu sei que esse tópico ~comida~ pode ser meio complicado. Eu mesma, morria de vergonha de comer qualquer coisa se meus hosts estavam em casa. Bobagem 100% minha e por favor, não seja como eu. Faça bom aproveito da comida da sua host family (com bom senso, claro!) e poupe o seu dinheiro para outras coisas;

3- Priorizando
É verdade que o pocket money é baixo e não dá pra sair comprando tudo, almoçando fora e viajando loucamente em um único mês. Por isso, tenha planos e priorize uma coisa só por vez. Se em março tem um show que você quer muito ir, foque nisso e deixe pra viajar em abril. No mês que for viajar, economize nos gastos em lojas de roupa e etc. Se esse mês, você sente que é hora de renovar o guarda roupa um pouco, tente deixar os rolês para o próximo mês e assim vai;

4- Poupando um pouco do seu dinheiro
Quando vai chegando o final do nosso ano, é normal que a gente queira comprar tudo e mais um pouco para nossa família e amigos. Por isso, tenha isso em mente desde o comecinho do seu intercâmbio e guarde um pouco do seu salário por mês para esse propósito - ou qualquer outro que você tenha deixado para o final. Assim, não bate aquele desespero de voltar pra casa sem nenhum tostão;

5-Comprando coisas usadas
Sim e sim! É impressionante a qualidade das roupas, acessórios e etc que você encontra nos bazares da Europa. Vale super a pena e é um passeio gostoso. Também existem sites que vendem apenas second hand e eu super recomendo. Garimpar peças usadas é uma forma de economizar e também de ajudar o planeta. Então, sem desculpas, tá?

Claro, que cada um tem seu jeito de planejar e cuidar das finanças e tá tudo bem. Mas eu espero que essas dicas te ajudem a gastar o seu money de uma forma mais consciente e que o seu ano de Au Pair seja muito bem aproveitado!

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sábado, março 16, 2019

A montanha russa de sentimentos de um intercambista


Oi pessoal, tudo bem?

Meu embarque é em alguns dias e eu escrevo esse texto com muitas coisas em minha cabeça... mais alguém já passou por muitas sensações pré embarque? Não parece uma montanha russa? 

Cada um sente as coisas de uma forma, mas eu estou passando por um momento onde tenho momentos nostálgicos, choro, fico feliz, tenho medo, quero contar pra todo mundo e ao mesmo tempo não quero contar, quero me proteger do julgamento alheio (afinal sempre vai ter quem julgue por estarmos indo para outro país para cuidar de crianças, principalmente para aquelxs que estão ou já terminaram a graduação), no momento seguinte já quero comer toda comida que vejo pela frente, pois nenhuma é como a dos nossos pais e até mesmo do nosso país, em outros momentos não sinto fome, pois estou muito nervosa e tem momentos que eu me sinto expectadora da minha vida, parece que nada disso está acontecendo comigo, tento viver dias normais, e todos esses sentimentos acontecem no mesmo dia hahahha.

Se eu disser que nunca pensei em desistir nesses últimos 30 dias pré embarque, vou estar mentindo, afinal esse pensamento vem do medo do desconhecido. Mas é esse mesmo desconhecido que me aguça a curiosidade e a vontade de viver o novo que me dá forças pra deixar a insegurança de lado e ter a certeza que é exatamente isso que eu quero para o meu próximo ano. Viver uma cultura diferente, aprender uma língua diferente, conhecer pessoas diferentes, me adaptar a tudo isso e sobreviver a toda essa mudança de sentimentos.

E se formos fazer uma analogia, o intercâmbio em si também é uma montanha russa, afinal quando estamos pensando em entrar nela, olhamos e estudamos se realmente queremos, existem aqueles que se preparam psicologicamente por dias, alguns por semanas, outros por anos, e também tem aqueles que se jogam sem nem pensar. Assim que entramos na fila repensamos muitas vezes se é isso que queremos, ficamos com medo, alguns desistem, outros tem certeza. E esse momento pré embarque e o próprio dia do embarque, e treinamento (pra quem tem no seu programa) é quando estamos subindo a montanha russa, quando dá aquele frio na cabeça e surgem muitos pensamos "por que eu inventei de fazer isso?", "nossa, como estou animado para isso", "que frio gostoso na barriga" e por aí vai... E então chega o momento que chegamos na família, é como a descida, aquela parte que a gente grita e vê que está acontecendo mesmo, alguns gritam de medo, outros de emoção, e então logo sem seguida vem aqueles choques culturais, o que pode ser comparado ao looping, que nos deixa de ponta cabeça, mas sabemos que em seguida o looping acaba e a gente vai se adaptando. E como cada experiência é única, quando essa montanha russa acaba (ou o intercâmbio) é quando alguns dizem "nunca mais", já outros voltam pra fila no mesmo momento e outros precisam de um tempo antes de tentar de novo. Mas o mais importante é tentar curtir cada momento dessa montanha russa do intercâmbio.

Meu embarque é amanhã, dia 17, e no próximo post eu conto pra vocês como está o meu primeiro looping :) 


Até breve!




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sexta-feira, março 15, 2019

Sobre a minha chegada na Alemanha....

Olá pessoal tudo bem? Espero que sim!

Bom eu fiquei sumida daqui por dois meses e peço desculpa por isso! Sim, já estou em terras germânicas e vou falar um pouco como está sendo até agora.

Eu cheguei em Hamburgo já era bem tarde então somente a mãe foi me buscar, eu estava bem ansiosa e ela também estava muito animada com tudo isso. Eu sou a primeira au pair da família então está sendo tudo novo pra eles também. 


Eu cuido de 3 kids, uma menina de 6  anos e dois meninos de 4 e  2 anos. Moro em uma fazenda e mãe é homestay.... então assim, acredito que tanto pelos meninos sempre ficarem com a mãe e por nunca terem tido uma au pair, no começo eles não queriam muito ficar comigo, mas com o tempo eles foram se acostumando e agora já querem passar mais tempo comigo... quando convido eles pra brincarem eles sempre vem ou pedem pra brincar também. 

Já com a menina foi tudo muito tranquilo. Como eu divido o cuidado das crianças com a mãe o trabalho na verdade é muito tranquilo e além do cuidado com as crianças eu também faço algumas tarefas domésticas... somente light housework. 

Até agora tem sido tudo tranquilo, na primeira semana já comecei o curso de alemão. A língua ainda é uma dificuldade pois vim com o nível a1 de alemão que é o mínimo exigido pelo consulado no momento de solicitação do visto. 

Muitas informações aos mesmo tempo haha mas queria mais dar um update de como tem sido... Vocês tem alguma pergunta ou curiosidade sobre o au pair na Alemanha especificamente? Deixe aqui nos comentários e até a próxima :)

Segue abaixo umas fotos de onde morando... como eu mencionei acima estou morando em uma fazenda e embora só tenha postado as fotos de natureza aqui eu vou muito para a cidade. Mais pra frente compartilharei como é essa experiência morando em dorf :)






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quinta-feira, março 14, 2019

Coisas que só uma au pair entende...

Oi meninas, depois de tanto post meu falando de coisa séria este daqui vai ser mais leve para descontrair mesmo. Tem coisas que só quem foi au pair vai entender. Aqui vai a minha listinha:

  • quando não tinha ninguém em casa eu fazia um almoço bem caprichado só para mim com tudo de melhor que tivesse na cozinha.


  • às vezes eu passava o aspirador de pó nas pecinhas de lego espalhadas pelo chão ao invés de  sair catando uma por uma.

  • eu saía de casa na sexta logo depois do trabalho e só voltava no domingo a noite para não passar o final de semana socializando com a host-family e fazendo babysitting de graça.

  • tomava banho de espuma na banheira do host quando não tinha mais ninguém em casa.

  • às vezes eu me oferecia para fazer um super prato brasileiro no jantar simplesmente porque eu não aguentava mais comer aquelas coisas esquisitas e sem tempero preparadas pelos hosts.

  •  eu promovia altos playdates para as minhas crianças irem brincar na casa dos amiguinhos assim eu teria uma tarde inteira de paz.

  • quando os hosts deixavam as crianças escolherem algum doce da gaveta de guloseimas eu também comia alguma coisinha afinal de contas não basta ser au pair, tem que participar!

  • para não ter que gastar o meu (pouco) tempo livre fazendo atividades domésticas enquanto as crianças estavam na escola eu deixava as crianças brincando no jardim e ia passar roupa. time management, meu povo!




Que fique bem claro que eu sempre fui uma boa au pair e era bastante esforçada mas digamos que paciência tem limite (principalmente no final do programa de au pair quando você já está contando os segundos para voltar pra casa hehe)

E vocês, já fizeram algo parecido? Quem nunca, né? ;)
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quarta-feira, março 13, 2019

Learning Across America: alternativa para aulas

Oi gente, tudo bem com vocês? Hoje vim fazer um complemento no meu post sobre as opções que temos para aulas no ano de Au Pair, apresentando mais um curso de curta direção e de viagem.


Washington, DC

Pra quem quer saber um pouco mais sobre como funciona a questão de horas, créditos e o valor da bolsa que recebemos da família para estudar, entra na minha tag Elisa Padilha que tem um post completinho onde explico tudinho para vocês.

Bom, pra quem me conhece sabe que eu não aguento mais ter aulas de inglês nessa vida, já foram uns longos 10 anos dentro de sala de aula aprendendo o idioma. Quando cheguei aqui resolvi que ia fazer algo diferente com o valor da bolsa que recebemos. Queria muito ter feito alguma aula da minha área de formação, porém os cursos eram caros, em horários que não fechavam com meu schedule e algumas vezes nem aceitos pela APIA.

Minha LCC sempre mandou todas as aulas disponíveis na região e que fossem aceitas pela APIA para validação dos créditos e horas. Sempre me chamou a atenção os cursos de finais de semana com viagem. Meu schedule é fixo e eu não me imaginava indo pra aula duas vezes por semana na correria depois de cuidar de uma criança o dia inteiro haha.

No post anterior falo um pouco sobre minha primeira escolha de aula que foi sobre mulheres no mundo dos negócios. A aula foi na George Washington University em D.C. durante um final de semana. Para minha sorte a APIA mudou as regras sobre os créditos no início desse ano, o que passou ser possível fazermos duas aulas de finais de semana para completar os 6 créditos obrigatórios. Na regra anterior era permitido apenas uma.

Sendo assim, minha segunda escolha foi no mais barato e interessante que achei. O programa que escolhi foi o Learning Across America oferecido pela Borough of Manhattan Community College (BMCC), onde você tem um final de semana de aula sobre a história da cidade que você vai visitar e em um outro final de semana tem a viagem guiada pelos principais pontos turísticos. 

Para Philly area (onde eu moro atualmente), as aulas foram ministradas na Peirce College e tinha como como opções de destinho Washington D.C., Niagara Falls e Lancaster (Amish Country). Como minha intensão era gastar menos e simplesmente cumprir os créditos, lá vou eu mais uma vez para Washington D.C.

Se você não gosta de história não recomendo, pois é só o que tem nessa aula. Aprendemos sobre história americana, sobre a constituição, algumas das personalidades influentes, sobre a historia de Washington D.C. e discutimos um pouco de política, é claro. O mais interessante é a integração e o diferente ponto de vista de Au Pairs de diversas nacionalidades.

Nós tínhamos temas antes das aulas e um projeto final para ser entregue depois, mas tudo bem tranquilo. Próximos passo é visitar os principais pontos turísticos sobre os quais aprendemos nas aulas. A viagem tem a duração de apenas um dia. 

Fica aqui então mais uma dica pra quem está querendo completar créditos ou horas, e não quer passar muito tempo dentro de uma sala de aula. Link para cursos em outras localidades: https://www.learningacrossamerica.net/

Qualquer dúvida ou sugestão, só deixar aqui nos comentários. Fiquem bem e até mês que vem. Beijos!

Elisa 
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Bati o carro do host - TWICE.

Oi gente, feliz dia 15 pra vocês! :)

Sem querer me justificar e já me justificando: eu nunca tive carro e só tirei carteira aos 20 anos de idade. A minha experiência no volante se resumia a ir de vez em quando para um curso que eu fazia aos sábados e de vez em nunca buscar algum parente em algum lugar perto de casa mesmo. E eu estava feliz assim, até porque morava perto de tudo e nunca realmente dependi de carro para sobreviver. 

Naturalmente quando eu resolvi ser aupair eu coloquei no application que não tinha experiência com carros e que não gostaria de dirigir para a host-family. Achava que era muita responsabilidade euzinha aqui que não dirigia no meu próprio país pegar um carro que não era meu para dirigir no país dos outros com os filhos dos outros.


Como eu estava indo pra Holanda de aupair eu nem me preocupei com isso pois na Holanda a maioria das aupairs tem bicicleta ou então faz tudo a pé mesmo. As cidades holandesas eram relativamente pequenas (se comparadas às nossas) então dava para fazer tudo caminhando. 

Eu não fui por agência. Fiz perfil em site, tirei o visto por conta própria, banquei as passagens de avião do meu bolso e fui. A host-family disse que eu não precisava dirigir pois a escola das crianças era pertinho de casa e quando eu quisesse passear tinha um ponto de ônibus na rua de cima que levava até a estação de trem mais próxima. O centro da cidade também era perto e haveria uma bicicleta na casa para eu usar se quisesse. Este foi um dos motivos que eu aceitei trabalhar com essa família.

Chegando lá, surpresaaaa: a host "esqueceu" de me contar que uma das crianças tinha necessidades especiais e ficava permanentemente  em uma cadeira de rodas (nas fotos que eles me mandaram antes de ir pra lá o menino estava sempre sentado no sofá, no chão, enfim, eu não sabia do estado de saúde dele). Imaginem o meu susto quando cheguei lá né? Me senti enganada real.

Agora tentem imaginar como eu fiquei quando a gracinha da minha host disse que eu teria que levar o menino na escola (em outra cidade) de van. Sim, porque a cadeira de rodas dele não cabia no carro normal então eles tinham uma VAN.


Eu mal sabia dirigir um carro, imagina um mini-ônibus. Pânico no caldeirão. Consegui escapar desse perrengue alegando que além disso não ter sido combinado eu não tinha carteira para dirigir veículos grandes e se eu fosse pega em alguma blitz poderia até ser deportada. Os hosts concordaram e acabaram levando o menino eles mesmos já que a host-mom não trabalhava e o que aquela diaba mais tinha era tempo livre. Saravá.

Aí vem o segundo problema: o curso de holandês que eu ia fazer era em outro estado, a mais ou menos uma hora de carro de onde eu morava, os hosts já tinham me matriculado e eu teria que dirigir o carro do host-dad pra ir pra lá duas vezes por semana a noite. Para você que dirige desde que nasceu isso é molezinha mas imagina eu: sem experiência tendo que pegar estrada de noite! Pior: era um Audi A4 enorme, novinho em folha e o host me disse "aconteça o que acontecer, não estrague as rodas do meu carro porque cada uma custou quatro mil euros". Ou seja, além de pânico eu também senti uma leve pressão.

Perguntei se eu podia ir pro curso de trem mas os hosts se recusaram a pagar a passagem e como eu precisava pegar um ônibus e depois dois trens, aquilo ia me custar metade do meu salário de aupair todo mês mesmo com o cartão de desconto. Eu não podia bancar aquilo sozinha então desisti dessa idéia. Um dia o host até me levou na minha escola para eu aprender o caminho. Enquanto ele dirigia eu tentei desesperadamente achar qualquer referência na estrada para me lembrar depois mas fiquei muito nervosa. 

Logo em uma das primeiras vezes que eu fui sozinha pro curso, assim que cheguei na escola e fui estacionar eu encostei no meio fio e o pneu simplesmente furou. WTF?????!! Pelo menos eu estava na escola e a professora ligou pro meu host do celular dela explicando em holandês o que houve. O host foi me buscar em outro carro e no dia seguinte mandou alguém trocar o pneu e devolver o Audi na casa dele. Não levei bronca mas também ninguém me perguntou como eu estava, o que aconteceu, se eu precisava de alguma coisa. E gente, eu fiquei mortinha de vergonha e bem chateada!


Uma semana depois, já voltando pra casa depois da aula, o GPS mandou entrar numa rua diferente, entrei e guess what? Tinham construído uma ponte na tal rua, esbarrei no muro bem na entradinha dessa ponte e o pneu furou de novo! Dessa vez eu estava no meio do nada, já era quase meia-noite, estava tudo escuro, não passava uma alma viva naquele lugar e eu fiquei realmente desesperada.

Para piorar a bateria do meu celular estava acabando então eu mandei SMS pro meu namorado na época e ele respondeu apenas: "cuidado para não ser estuprada".Oi?! Aí mandei SMS pro host-dad, expliquei mais ou menos onde eu deveria estar e depois de uma longa espera ele apareceu soltando fumaça pela cabeça, muito bravo MESMO, me mandou entrar no carro e ficar quieta e não falou mais comigo.

Primeiro: eu avisei que não sabia dirigir. Segundo: pedi para ir de trem e eles não deixaram. Terceiro: do que são feitas as rodas do Audi, alguém sabe? Nunca vi um negócio tão fácil de estragar em toda a minha vida! 


Fui dormir arrasada. No dia seguinte quando acordei e dei bom dia pro host, ele respondeu bravo: "bom dia nada, por sua causa eu não fui trabalhar hoje porque estou sem carro", virou as costas e me deixou no vácuo. Pelo menos eles aceitaram pagar a minha passagem de trem para a escola e eu nunca mais dirigi o carro deles.

Essa família foi muito cruel comigo. Eles me exploravam, me humilhavam, eu cuidava de três crianças difíceis, estava infeliz, os hosts viviam dizendo que não gostavam de mim e uma vez quando me recusei a esfregar a privada do banheiro da host ela me puxou pelo braço escada acima e me obrigou a limpar o banheiro todinho dela. Por essas e outras depois de três meses eu mudei de família. Sabe o que os hosts fizeram? Descobriram o telefone da minha família nova e ligaram várias vezes para eles dizendo que eu era uma péssima motorista e deveria ficar bem longe do carro deles. 


Meus hosts novos ficaram chocados e de novo eu me senti envergonhada e humilhada. Nessa casa nova eu tinha um carrinho só pra mim e os hosts me deram muito incentivo pra dirigir, sempre me elogiavam no volante e me deixaram bastante confortável. Acabei criando um pouco mais de confiança e tirando a vez que atropelei uma pomba e as duas vezes que bati em um poste o resto foi ótimo (risos).

Mas eu vou confessar uma coisa para vocês: eu fiquei tão traumatizada que nunca mais consegui dirigir de novo. Até hoje eu não dirijo, minha carteira de motorista venceu há anos e nunca nem renovei. Eu simplesmente não consigo, entro em pânico e volta na memória os hosts da primeira família gritando comigo, me humilhando e tentando convencer as pessoas de que eu não sabia dirigir e por isso eu era uma pessoa horrível.


A lição que eu tirei de tudo isso foi que a gente precisa saber respeitar os nossos limites e principalmente respeitar as limitações do outro. O que é fácil para mim pode ser difícil para você e te ridicularizar de graça por causa disso só vai atrapalhar ao invés de ajudar. 

Depois do meu ano na Holanda eu até mandei um e-mail para o presidente da Audi no Brasil relatando como eu consegui a façanha de furar dois pneus de um Audi A4 em uma semana, pois eu tinha cer-te-za que o problema era o pneu e não eu. Para a minha total surpresa, o homem respondeu rindo que não tinha nada de errado com os pneus dele e que a culpa não era minha - eu provavelmente só tive azar mesmo. Foi a primeira e única vez que eu consegui rir dessa história toda.
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