Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

15 agosto 2020

Saudade.

 

Dia desses tentei explicar a palavra “saudade” para minha “mãe” aqui, porque, segundo ela, toda vez que estou em ligação com os meus, repito a mesma coisa. Às vezes, acompanhada de gargalhadas estrondosas, outras, claramente desvio o olhar pra segurar lágrimas. Ela parecida confusa...A saudade é uma coisa assim, contraditória. É a sensação de uma bateria de carnaval no peito, das horas que gotejam segundos, o nó na garganta e o emaranhado de pensamentos sobre memórias afetivas entranhadas em nós. É “feliste”. A saudade é um colosso, que abrange desde o cachorro gigante peludo que põe as duas patas em você pra saudar, o cheiro que só tem na tua casa, o olhar tenro do pai enquanto cozinha, o entusiasmo da mãe que gesticula enquanto te chama pra ver filme com ela, o irmão menor que já não é tão menor assim, a capacidade de identificar quem esta subindo as escadas só pelo som dos passos. É a irmã que toca suas favoritas no piano do quarto ao lado. É irritar a mais velha fazendo a voz da cachorra. 

A gata que se aninha nas noites de inverno, o sabor da comida de domingo e mesa lotada. O jeito de país tropical.

É uma volta de carro pelas avenidas principais da cidade, embaladas por diálogos, risadas e playlists intermináveis. É avisar que tem comando na Getúlio. Se encontrar no posto e no bosque do condomínio. É a impossibilidade de sair e não encontrar um rosto conhecido. “E aí? Daqui nada e aí?” É saber exatamente onde ir. É entrar no condomínio dando um joinha pro porteiro. É a brejinha na calçada. O “10 min to aí”. O “pode sair”  A nossa turma. É o bar da nossa galera. O sofá desajeitado do estúdio. A mão fria que segurava a minha. As festas/churras no sítio e na fazenda. A sobremesa favorita que a avó e madrinha preparam só pra te receber. É o caminho sinistro pro estrelário e filosofar no meio do nada. É espremer a agenda pra caber um almoço/café em dia de semana porque tá corrido. É a “minha” rua. É a musiquinha de abertura do cinema da cidade. 

O buraco que eu desviava, na rua de casa. É participar do parabéns, do brinde, do role e da vida através do outro lado de uma tela fria. É o abraço desajeitado que eu daria em todos vocês. 

É uma passagem só de ida.

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Heloísa Kinal

Um comentário:

  1. "Feliste" amei o termo hahahah, e que texto! Saudades é tudo isso e um mais pouco 💔

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