Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

27 agosto 2020

Todos temos dias ruins, mas essa não é uma boa razão para desistir.

 


Olá pessoal!

Hoje vou contar para vocês um pouco sobre meus primeiros passos como au pair e como quase desisti do programa nos primeiros 15 dias.

Os primeiros dias como au pair foram os mais difíceis para mim. Eu pensei em desistir várias vezes e várias situações colaboraram para isso. Me lembro de chegar na casa da Host Family no primeiro dia e, após todas as apresentações, ir para meu quarto, sentar na cama e, pela primeira vez após sair do Brasil, chorar. Eu comecei a me perguntar o que eu estava fazendo aqui, o porquê de trancar faculdade para vir, o porquê de ter deixado minha vida para vir ser “babá” nos EUA.

Ninguém me tratava mal. Eu tive muita dificuldade de entrosamento com a minha kid mais nova, a ex au pair era a melhor amiga dela, para ela eu era uma intrusa! Ela sempre me pedia para deixar ela sozinha, ela não queria comer quando eu colocava a comida dela, ela não me deixava pentear o cabelo dela, e, aquilo estava me deixando pior.

O meu kid, que hoje tem 12 anos, tinha o costume de tentar me encaixar nas coisas dele, acho que ele ficava com dó de mim, mas tinha algo dentro de mim que não me deixava realmente viver o programa.

O pior problema era que eu não conseguia dirigir. Eu travei! Minha LCC indicou um au pair e disse para eu conversar com ele, verificar se ele tinha um tempo livre para me auxiliar, ele veio, dirigia comigo ruas afora, eu dirigia muito bem com ele, porém quando eu tinha que dirigir sozinha eu travava.

Aquilo era extremamente frustrante! Minha principal função era exatamente dirigir e eu simplesmente não conseguia!

Então, um belo dia, que não foi nada belo, eu fui levar a minha criança de 12 anos para um curso que ele fazia e, na volta, eu bati o carro da minha host mom em outro carro. Tinha 15 dias que eu estava aqui. Até hoje me lembro da mulher do outro carro vindo conversar comigo, diversos carros buzinando e eu estava desesperada, eu não conseguia me comunicar com a mulher, meu inglês era horrível! Porém, por alguma razão ela pegou o número do meu telefone e acreditou que poderíamos resolver amigavelmente, ninguém chamou a polícia e eu voltei para casa.

O problema era, como eu ia explicar o acontecido para minha host Family? Tinha 2 duas semanas que eu estava aqui. Eu conversei com alguns amigos, liguei para dois tios meus e eu chorava como se minha vida tivesse acabado, não era só o carro, eu estava tendo muito problema de adaptação, minha cabeça estava a mil, conversei com meu tio caçula que iria apenas voltar para casa e ele me incentivou a não fazer isso, a tentar resolver primeiro e, enfim, meus host parents chegaram e me chamaram para conversar.

Estou eu na frente deles e me perguntam: O que aconteceu? Eu devo ter falado em árabe! Nem eu entendia o que eu estava tentando comunicar. Minha chefe ficou bastante exaltada, eu entendo, eu tinha batido a Cadillac/escalade dela em um outro carro com 15 dias que eu estava aqui! Ela começou a falar bastante nervosa que eles haviam me escolhido para dirigir, que eles precisavam de alguém para dirigir e me perguntou como resolveríamos isso. Nesse momento eu só queria não estar aqui, olhei para eles e falei: vocês podem escolher outra pessoa, eu quero voltar para casa. Enquanto a minha host mom falava que eu podia tirar um tempo para decidir se era realmente isso que eu queria e que eu não teria mais autorização para dirigir, o meu hosto se levantou e falou: Fran, "você só teve um dia ruim, todos nós temos dias ruins. E essa não é uma boa razão para desistir". Então, ele disse que eu poderia descansar e que ele e minha hosta conversariam em particular e voltariam a conversar comigo no dia seguinte. Mas aquelas palavras ficaram gravadas na minha mente.

No outro dia minha hosta pediu desculpas por estar tão alterada no dia anterior, e eu decidi que tentaria mais uma vez, dessa vez tentaria de verdade. Bom, eu estou aqui com eles há mais de 2 anos. Vários altos e baixos, eles não são perfeitos, não conheço uma família que seja, mas nos damos bem.

Até hoje me lembro quando a minha menina falou como uma amiguinha que eu era a amiga dela que morava na casa dela. Hoje eu dirijo, já fiz road trips dirigindo com minhas amigas, tenho um ótimo relacionamento com meus host parents, não me sinto como uma filha, mas com certeza me sinto como uma amiga. Eu cresci muito nesse período, eu amadureci. Criei laços para a vida toda e, mais importante, fiz meus objetivos se tornarem realidade.


Tudo isso aconteceu porque um dia um homem muito sábio me disse: “Você só teve um dia ruim, todos nós temos dias ruins. E essa não é uma boa razão para desistir”. E eu ouvi, entendi e vivi aquelas palavras. Hoje, as deixo como incentivo para a vida de vocês.

Acredite no seu sonho até ele se tornar realidade.

Espero ter colaborado para a vida de cada um de vocês. Vejo vocês próximo dia 27.

Beijinhos de Luz.


 

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Francislane Magalhães

6 comentários:

  1. Amei sua historia Fran!!
    Muito linda e encorajadora ,para quem vai ou estar passando por situações iguais ou semelhantes a essa.
    Meus parabéns,continue lutando pelos seus sonhos objetivos .Te amo mais que todo o chocolate do mundo .❤❤

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  2. Consegui viver cada momentinho mas sem muito “drama” porque se eu fizer drama é só ladeira abaixo Hahahahahah... Fiquei muito feliz com o rumo que esses péssimos 15 dias tomaram e me senti tão acolhida com as palavras do seu host dad, we com certeza foi o seu grande mentor! Seja grata e aproveite cada segundinho... “AVUA”....

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    1. Obrigada! Sou muito grata, sim! Fico feliz que você se sentiu acolhida por tais palavras! Elas basicamente mudaram muita coisa naquele momento! 🥰

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  3. Amei seu relato e te admiro muito pela sua coragem e determinação..

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    1. Obrigada Wesley! Muito obrigada por todo apoio até hoje! :)

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