Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

06 outubro 2020

Mar calmo não faz bom marinheiro(a)!


Faz alguns minutos que estou encarando essa tela em branco, pensando no que deveria escrever. Enquanto penso, um filme passa na minha cabeça da minha trajetória até aqui. 
Eu poderia escrever que o Au Pair sempre foi o meu sonho e que hoje tenho a oportunidade de realizá-lo. Também poderia dizer que tudo ocorreu como o planejado e que eu estava super preparada. Mas isso não seria verdade. Nada foi como eu planejei. Eu não estava preparada para metade das coisas que me aconteceram. Definitivamente eu não estava preparada para saudade, adaptação e as provações que me aguardavam. Como eu poderia imaginar 3 rematchs e 4 host familys diferentes (pasmem) em menos de 1 ano? Mas foi o que aconteceu.

"Eu preciso sair e ver o mundo lá fora" pensei quando me formei na faculdade, e me deparei com a frustação de não me ''encaixar'' em nenhum lugar. Decidi que aquela era a hora certa de tirar o meu sonho da caixa. Meu sonho era conhecer a Austrália, poder explorar e estudar. Busquei saber o quanto esse sonho me custaria. Caro demais. Não seria possível para meu orçamento naquele momento. Tive que deixar esse sonho de lado. Optei pelo Au Pair nos Estados Unidos por maior segurança e por ser mais alcançável diante da minha realidade naquele momento.
 
Foram exatos 6 meses de preparo entre papéis, formulários, check-ups até ficar online e começar conversar com as famílias. Tive um ótimo fluxo, mas fechei meu match por ansiedade e cansaço de falar com famílias (sejam pacientes). Fechei meu match sem certeza ou segurança. Inclusive, lembro de ignorar minha intuição e os sinais por várias vezes (ouçam seus instintos). Tive pesadelos, meu embarque foi adiado e em alguns momentos tive uma estranha vontade de cancelar o match por não sentir a tal da certeza, "isso é loucura, eu estou ansiosa é só isso! Vai ficar tudo bem! Vai dar tudo certo" pensava. 

O primeiro rematch para mim, foi o mais difícil e traumático. Passei 3 meses com aquela host family, tentei o máximo que pude. Eu achava que eu poderia estar criando expectativas inalcançáveis, cheguei a pensar que talvez o problema fosse eu, até me deparar com um estado extremo exaustão física e emocional. Percebi que nunca iria me sentir confortável e segura em nenhum canto daquela casa cheia de câmeras, cheia de regras e obrigações que aumentavam dia após dia. Eu parei. Pensei. E decidi que bastava. E questionei a mim mesma "tá com medo do que Bruna?"  O que de pior poderia me acontecer? Voltar para casa? Voltar para o meu País? voltar pros braços cheio de carinho e amor da minha familia? eu não havia chegado até ali para ser infeliz.
 

À

s vezes a gente pinta o "bicho papão" maior do que ele realmente é. 
Nosso medo de encará-lo,  deixa-o mais forte do que ele é. Ficamos onde nos permitimos ficar e as pessoas só fazem conosco, aquilo que nós mesmos permitimos que elas façam. Isso se aplica pra vida. Somos os únicos capazes de nos colocarmos ou tirarmos das situações, dos lugares e até mesmo de relações. Eu me lembro de pensar "a gente arrisca tanto pra estar aqui, não pode ser só isso." Decidi que bastava. Se fosse para eu voltar para casa, voltaria. Mas se fosse ficar, que fosse onde valorizem meu trabalho e me respeitassem. Quando me dei conta disso, o rematch que estava entalado na minha garganta por tanto tempo saiu alto e claro.

Passei por essa situação mais duas vezes. O segundo rematch foi também  por discordâncias. O terceiro eu havia decidido extender com eles, e eles decidiram deixar o programa. E novamente me deparei com a incerteza de não saber o que esperar daquela situação.

E hoje escrevendo aqui para vocês, diretamente da minha quarta e última host family (assim espero). Feliz como nunca fui em todas as outras família, com as expectativas mais do que atendidas. Com a certeza de que, os caminhos tortuosos me trouxeram exatamente onde eu deveria estar agora. Muitas vezes a compreendemos não durante o trajeto, e sim quando chegamos ao destino. Hoje sou feliz, sou valorizada, sou respeitada e sou tratada como uma pessoa de outro País que merece ter uma boa experiência. Eu sinto que valeu a pena cada acidente de percurso. Sou grata pelas turbulências. Afinal "mar calmo não faz bom marinheiro".  Eu não teria aprendido a navegar na tempestade com calmaria sem elas, obrigada turbulências!  

Meu nome é Bruna e essa é parte da minha história no programa de Au Pair e de como ele me transformou e ainda transforma. Ele faça parte de quem eu sou, mas não define tudo que sou. Eu sou, nós (ex's, atuais e futuras Au Pairs) não somos e nunca seremos definidas pelo Au pair. Somos muito mais que esse programa. Somos sensacionais. Somos f*das! Espertas. Talentosas. Inteligentes. Mutáveis. Fortes. Corajosas.

Desejo que nesse momento você aí do outro lado e que chegou até aqui, sinta orgulho do seu trajeto. Se for para vir, venha para ser feliz. Se for para ir e decidir voltar, volte para ser feliz. Você é livre para ir e vir. Então vá e venha quantas vezes forem necessárias, até achar aquilo que procura e merece. O au pair é uma experiência para ser feliz! A vida é feita viver feliz! Claro que ninguém vai ser feliz todo o tempo. Mas cada um de nós, sabemos o que a gente realmente merece. Não aceite menos que isso! Nunca.





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Bruna
Au Pair em Boston (EUA)

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