Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

24 fevereiro 2021

7 dias de quarentena no meu quarto

O que você faria se tivesse 168h para si mesmo? Talvez você possa pensar: eu teria tempo para terminar um livro, assistir aquela série que postergo em terminar, começar um filme ou qualquer que seja as outras tantas opções que possam vir à sua cabeça. O fato é que 168h, ou 7 dias, parecem uma eternidade para alguns.

Na semana do Natal minha atual host family me deu férias. Eles têm sido bem restritos ainda com relação ao COVID, mas me disseram que eu poderia viajar, claro, tomando todas as precauções. Logo após meus 7 dias de férias, eu voltaria para casa e ficaria mais 7 dias em quarentena no meu quarto, faria o teste e somente após o teste constar negativo depois desses 7 dias, eu voltaria ao trabalho. Além disso, pediram que eu não entrasse na casa principal - meu quarto fica fora da casa - mas que me dariam um dinheiro extra para cobrir meus gastos com comida. 

Sendo bem sincera e vulnerável aqui hoje com você que está lendo, mesmo minha host family me dando essa opção de viajar e aproveitar o tempo que eu tenho aqui no país, eu cogitei em não ir. Eu fiquei com medo de me sentir sozinha durante esses dias, de não poder socializar durante uma semana inteira, de não poder me sentir “eu” mesma. 

Engraçado pensar e constatar que talvez este seja um dos sentimentos que essa pandemia tem trazido a muitos. E eu queria evitar isso ao ponto de negar algo que era meu por direito. Então, após pedir a opinião dos meus pais e de algumas pessoas próximas, aceitei e fui ver uma amiga que mora em Connecticut e passar o natal com a família dela. 

E para ser completamente sincera? Foi muito bom ter ido! Eu descansei bastante. Minha amiga me recepcionou no basement, colocou cápsulas de café para que eu pudesse me servir a vontade na máquina que ela tinha no quarto, deixou tudo impecavelmente arrumado para que eu me sentisse à vontade. E como isso fez diferença! 

Eu também aproveitei que estava por lá e dirigi até a minha antiga host family, que mora a cerca de uns 20 minutos da casa dessa minha amiga. Tomamos café da manhã juntos na varanda - eles também seguem a risca o fato do COVID ainda não ter acabado -, trocamos nossas lembrancinhas de Natal, bati papo com as minhas antigas host kids (que estão super grandes, incrível como essas crianças crescem tão rápido!), conheci a nova Au Pair deles e fiz um pit-stop na vizinha da minha antiga host family. 

E sobre este pit-stop eu quero contar algo bem engraçado. Essa vizinha é da Czechoslovakia e foi Au Pair aqui nos EUA a muito anos atrás. A história dela é bem doida, ela veio para uma família super perigo… Mas isso é assunto para outro dia. Hoje ela é casada e tem três filhos: dois meninos e uma menina. Eles são uns amores, sempre muito bem educados e me tratavam super bem todas as vezes que eu ia na casa deles. 

Ela foi uma pessoa muito boa para mim enquanto eu estava em Connecticut porque me entendia, entendia os momentos ruins que tinha na host family, então eu tinha alguém “right next door” para conversar. 

Quando eu disse a ela que passaria na casa dela somente para dar um oi, ela logo me colocou para dentro (aqui vemos o tratamento diferenciado, enquanto minha host family me dava café na varanda, ela me enfiou dentro da casa dela rsrs), me ofereceu cookies, me deu presente de natal e disse assim: “Sabe aquelas bolinhas de chocolate que são muito famosas? Você TEM que me ensinar agora, antes de você ir embora!” As bolinhas são os nossos famosos brigadeiros. Ela literalmente me forçou a fazer ali na frente dela porque as minhas antigas host kids amavam e sempre comentavam com ela. 

Então chegou o Natal, fui para a casa da irmã da minha amiga e ceiamos juntos. Lembro que meu sentimento naquela hora era de "nossa, como é bom estar junto da nossa família ou estar cercada por pessoas de que a gente gosta". Todos os Natais eu estava com a minha família no Brasil, mas diante de toda a saga que tenho vivido talvez aquele foi um dos muitos momentos que teremos durante a nossa jornada como Au Pair em parar para pensar e valorizar mais o tempo que temos com quem amamos. 


E para quem estava tão “medrosa” em voltar e ficar 7 dias sozinha no quarto, vi que isso não era um big deal. Quando cheguei no meu quarto, minha host family tinha deixado um bowl com frutas, uma bag com cápsulas de café e uma caixinha recheada de cookies e treats que as crianças tinham feito. Aquilo encheu meu coração. E finalmente vi que talvez eu poderia me auto-sabotar de viver, aproveitar o período de tempo que eu tenho aqui, por uma simples bobeira.

Quero te encorajar hoje a não dar voz aos seus medos internos. Nós temos um período de tempo aqui, para aproveitar, conhecer, explorar. Sei que o momento que a gente está vivendo não é dos melhores, mas tenha mais graça com si mesma. E sim, enquanto eu escrevo isso para quem quer que vá ler, eu me auto-encorajo também. 


Te vejo no mês que vem!

 

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Vivian Ferraz
Ex Au Pair em Connecticut e atualmente morando na Virginia (EUA)

Um comentário:

  1. Oi Vivian! Fiquei feliz em saber que deu tudo certo com a sua viagem de Natal e ainda mais, com a sua semana de quarentena sozinha no seu cantinho. Aliás, eu não sabia que o seu quarto fica fora da casa, quanta privacidade você deve ter, que máximo! Faz um post contando como é:) Tour (de fotos) pelo seu cantinho! Bjs

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