Pessoas que largaram tudo para se aventurar nesse mundão de Au Pair!

11 abril 2021

Before x After após 1 ano e 7 meses na Austrália

 Hey, gente! 

Este mês eu fiz um pedido especial para as meninas aqui do blog para postar em uma data diferente. Desde o dia 2 de Fevereiro de 2021, tem acontecido diversas situações na minha vida e até então, eu acreditava que seria mais por conta da transição do planeta e todos os acontecimentos ao redor do mundo, porque querendo ou não, na minha visão, somos afetados por isso. MAS, foi aí que, em um belo dia de domingo, conversando com um amigo, eu percebi que já fazia mais de um ano e meio que eu estou na Austrália e nunca parei para refletir a respeito do que eu era quando ainda estava no Brasil e o que eu sou agora estando por aqui. Logo, decidi fazer esta reflexão e vir contar um pouco disso para vocês. 

Let's throw back in time...

Em Maio de 2019, eu estava caminhando para as minhas provas finais do último semestre da faculdade, era também meu último mês de estágio e depois de quase quatro anos desde a minha experiência não bem-sucedida como Au Pair nos EUA, eu ainda tinha a vontade louca de me aventurar pelo mundo em um intercâmbio. Analisei minhas economias e pesquisei muito sobre Au Pair na Holanda, crente de que era para lá mesmo que eu iria, para aperfeiçoar o idioma e poder rodar pela Europa. 

Naquela época (parece que faz muito tempo, nossa!), eu me recordo dos conselhos que os meus professores universitários davam para a minha turma sobre o nosso plano de carreira, o quão importante era ter tais cursos extracurriculares, falar mais do que "só" Inglês e Espanhol, ter o conhecimento de sistemas A, B e C; e o mais importante: ter experiência. Inclusive, isso me lembra as entrevistas de estágio que eu fiz para algumas empresas, em que pediam experiência para se ter experiência me algo. Um loop meio doido. 

E do outro lado, tinha aquela leve pressão das pessoas com quem eu convivia. "Poxa, Sthéfanie, mas você já está com 24 anos... A sua mãe, na sua idade, já tinha tido você e estava com o seu pai.", "E o namorado, cadê?", "Mas você ainda mora com seus pais? Por que você não tenta algo diferente?". Várias crenças limitantes que ainda perpetuam em nossa sociedade. Eu lembro que estava insegura sobre ter a minha experiência internacional e ainda assim, não ser o bastante para galgar meu futuro. Tantos requisitos e expectativas de um lado e do outro, tinha eu. Só eu mesma, certa de que ia para um intercâmbio por quatro meses, mas cheia de dúvidas do que viria depois. 

Durante os meus quatro anos de faculdade, eu fui uma das alunas mais jovens da minha turma. A galera era mais velha, decidida, em um relacionamento e com planos do que fazer e do que não fazer. Eu me lembro também que eu e minha melhor amiga éramos as únicas que saíam aos finais de semana para ir para a balada ou festas universitárias. Enquanto planejávamos nossa próxima viagem, outros planejavam a pintura do quarto do bebê ou a troca de carro. Sabe, eu fiquei pensando muito sobre isso esta semana. Há um certo e errado na vida?

Em um ano e sete meses de Austrália, eu me vejo em uma constante metamorfose. Eu vim com o plano de aperfeiçoar meu inglês ao ponto de atingir a fluência e ser capaz de fazer um exame de proficiência da língua, pois quando retornasse ao Brasil, eu iria aplicar para uma bolsa de mestrado na área de Supply Chain. Me despedi dos meus pais no aeroporto e a minha mãe, com lágrima nos olhos e sorriso no rosto disse "Não serão apenas quatro meses, filha. Não sei quando vou te ver de novo, mas sei que você tem um mundo para desbravar e eu também sei que você será capaz disso!". Na época, eu achei isso bastante dramático da parte dela. Afinal, eu não fazia ideia do quão assertiva a minha mãe realmente é! 

575 dias. 4 host families. 13 host kids. 7 tipos diferentes de trabalhos extras. Um inglês com o qual eu consigo me comunicar com facilidade, sem passar aperto. 13.800 horas regadas de uma montanha russa de emoções. Eu tenho comigo que antes de chegar aqui, minha vida era agitada e vez ou outra, acontecia algo com o qual eu tinha que lidar de uma forma diferente, mas ainda assim, eu levantava, sacudia a poeira e dava a volta por cima. Porém, aqui, eu tenho a impressão de que é tudo muito mais intenso. Parece que cada detalhe conta e as decisões tomadas decidem o presente e parte do futuro em um estalar de dedos. 

Quando eu deixei o Brasil, eu era uma pessoa insegura, de poucos amigos, muito na minha e cheia de sonhos. Eu tinha uma vergonha enorme de chegar e falar ‘oi’, de ser a primeira a tomar iniciativa quando inserida em um ambiente com outras pessoas - aquele receio de estar em foco -. Eu mal sabia fritar um ovo ou passar roupa decentemente. Eu tinha dúvidas sobre qual a melhor marca de produto de limpeza e sequer havia feito um planejamento minucioso sobre meu período aqui. Eu vim com a certeza de que aperfeiçoaria o meu inglês e falaria o menos possível em português, para evitar que o meu tempo e dinheiro investidos não fossem prejudicados. Esta certeza foi certa por um longo tempo! Tanto que eu alcancei o que eu vim buscar em primeiro lugar. Mas as outras... Já perdi as contas de quantas foram as vezes que me vi pensando, pensando, pensando e repensando os meus planos, o meu futuro...

A Sthéfanie de hoje é diferente da de ontem, da semana passada, do mês passado, de 2020, de 2019 e com certeza dos anos anteriores a esses. Eu já quebrei muito a minha cara por aqui. Esta semana mesmo, inclusive. Sigo aprendendo a não esperar o melhor das pessoas, ou esperar que elas pensem como eu para agir em uma situação em conjunto. Aprendi muito sobre cozinhar e trabalho com limpeza de casas, escritórios e lojas. Exercitei muito a minha paciência e expandi os limites da minha criatividade com as crianças. Dentre ganhos e perdas, já me vi refazendo meus planos por pelo menos 10 vezes. Acredito que não é a toa que eu tenha mudado de host family muito mais do que a média das au pairs por aí. 

Eu cresci vendo o desenvolvimento e o crescimento das pessoas ao meu redor, que buscavam pela realização dos seus sonhos. Muitas delas tinham sonhos parecidos, como se estivessem seguindo um manual de instruções. Se formar no Ensino Médio, iniciar a faculdade, se formar, conseguir o emprego ideal, casar, ter filhos e aproveitar o resto de sua vida. A “fórmula mágica” era que se você não tivesse um diploma, não teria emprego; e se não tivesse uma companhia, não seria feliz. MAS, com a passagem dos anos, a chegada da internet e as pessoas começando a compartilhar um pouco mais das suas vidas, outras fórmulas mágicas começaram a vir a tona. Como, por exemplo, o intercâmbio de Au Pair. Há pessoas que vão assim que completam 18-19 anos e depois que terminam o programa, seguem seus planos. Outras que vão depois da faculdade ou que trancam a faculdade por 1-2 anos para viver esta experiência. E ainda, há quem vai depois dos 30. E em sua maioria, essas pessoas vivem os melhores anos de suas vidas a partir daí. Eis que volto a te perguntar: existe certo ou errado? 

Eu tinha medo de não ser capaz de me virar sozinha, pagar minhas contas e batalhar pelo meu trabalho e estudo. Estive presa, por mais de um ano, na ideia de que levar uma vida sozinha seria complicado sem ter uma companhia para dividir contas, problemas e alegrias. Por um ano e seis meses, eu me vi presa as crenças limitantes. Eu me vi passando por situações parecidas de tempos em tempos, como se Deus estivesse me dando uma nova chance de tomar uma decisão diferente e tentar de outra forma. Demorou um pouco, mas eu finalmente consegui olhar para isso e tentar mudar de verdade. Não pelos outros ou pelo o que esperam de mim, mas por mim mesma. Eu sou a única responsável pela minha felicidade. Hoje, eu faço uma comparação de antes e depois e não me entristeço por decisões tomadas e que não deram certo. Sabe por que? Porque naquele momento, quando eu tomei tal decisão, parecia certo para mim. Se funcionou por um curto ou longo tempo, é difícil dizer, mas a certeza é de que eu aprendi algo, seja para a minha evolução interior ou para contribuir com a evolução de alguém.

Hoje, diferente do passado, eu não tenho mais vergonha. Se eu preciso ir a algum lugar ou ligar para alguém e isso envolve o uso do inglês ou da minha cara de pau, eu vou e faço. Afinal, se eu não fizer, quem é que vai fazer por mim? (É, mas eu demorei um pouquinho para entender isso rsrs) Na semana passada, eu iniciei o terceiro termo do meu curso, com a notícia de que precisarei fazer um estágio não-remunerado de 10 semanas em algum empreendimento de Hospitality pela cidade. E eu já corri para resolver isso! Meu visto expirará em Novembro, mas eu já estou me planejando para permanecer mais um tempo por aqui. E os trabalhos? Bom, além de cuidar das minhas pequenas grandes mulheres (Emelia, Evie & Charlotte), sigo com alguns extras para poder manter o meu sonho vivo. No atual momento, eu fico feliz em compartilhar com vocês que, como um girassol, eu sou luz para mim mesma e sigo, dia após dia, redescobrindo o meu sol! 

Por fim, quero deixar aqui uma reflexão para vocês: Em um mundo cheio de gente, com suas infinitas particularidades e gostos, é impossível dizer que somos todos iguais e comuns. Somos diferentes. Temos vidas, sonhos e planos únicos. Vivemos a nossa vida em busca da nossa própria felicidade, prosperidade e sucesso. Não tem uma fórmula mágica ou um manual de instruções para isso. São através de tentativas que vamos descobrindo, aos poucos, o que é pra gente e o que não é. E se você já está com seus 30 anos e ainda não se casou ou não tem sua casa própria ou não tem filhos, está tudo bem, viu? O importante é ‘Viver e não ter a vergonha de ser feliz! Cantar e cantar e cantar, a beleza de ser um eterno aprendiz!’. 

Tenham um ótimo mês de Abril e até Maio!!! See ya! 🐨

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Sthéfanie Manica
Au Pair na Austrália

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